Cientistas da Nasa encontraram em Titã, uma das luas de Saturno, uma molécula que poderia compor estruturas semelhantes a membranas celulares – o que, em teoria, seria capaz de levar ao desenvolvimento de formas de vida. A substância, chamada acrilonitrila, usada na Terra
para a fabricação de plásticos, poderia formar compostos estáveis e
flexíveis, como fazem os lipídios na composição das células vivas dos
organismos terrestres.
“A detecção desse químico elusivo e importante para a
astrobiologia [área que estuda a origem, evolução e futuro da vida na
Terra e fora dela] é emocionante para os cientistas que estão
impacientes para determinar se a vida poderia se desenvolver em mundos
gelados como Titã”, afirma Martin Cordiner, cientista do Goddard Space
Flight Center, da Nasa e um dos autores do estudo sobre a descoberta,
publicado na última semana no periódico Science Advances. “O achado adiciona uma peça importante em nossa compreensão da complexidade química do sistema solar.”
Há vida nas luas de Saturno?
Os cientistas detectaram a acrilonitrila por meio de dados
colhidos pelo telescópio Atacama Large Milimeter Array (Alma, na sigla
em inglês), no Chile. O composto foi encontrado em abundância na
atmosfera do satélite e, de acordo com os cientistas, possivelmente ele
se precipita sobre a superfície. Pesquisas anteriores já haviam sugerido
a possibilidade de que a substância estivesse presente na atmosfera de
Titã, mas essa foi a primeira pesquisa a verificar os “vestígios
químicos” da acrilonitrila. Segundo os cientistas, o composto, presente
nas “chuvas”, estaria a uma concentração tal que permitiria a produção
de 10 milhões de membranas celulares em cada mililitro dos lagos de
metano e etano de Titã – é bastante.
A existência doa molécula é importante porque, em 2015,
cientistas da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, haviam se
perguntado se os hidrocarbonetos metano e etano poderiam formar
estruturas semelhantes a membranas celulares de lipídios (essas
membranas são essenciais às células, pois separam o material orgânico do
exterior), mesmo no ambiente gelado da lua de Saturno, com temperaturas
que chegam aos 180°C negativos. Os pesquisadores identificaram que o melhor candidato para produzir esse composto seria a acrilonitrila.
“A habilidade de formar uma membrana estável para separar o
ambiente interno do externo é importante porque ela mantém os químicos
no interior tempo suficiente para que interajam entre si”, afirmou o
cientista Michael Mumma, também autor do estudo, em comunicado. “Se
estruturas semelhantes a membranas puderem ser formadas por
acrilonitrila, seria um passo importante no caminho para a vida na lua
de Saturno.”
Confira o vídeo (em inglês) feito pela Nasa para divulgar a descoberta:
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