O ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF),
atendeu a pedido do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia
(DEM-RJ), e adiou o depoimento dele que estava marcado pela Polícia
Federal para a próxima terça-feira (8).
O depoimento seria prestado em um inquérito aberto após as delações de ex-executivos da construtora Odebrecht no âmbito da Operação Lava Jato. Não há nova data por enquanto.
Segundo delatores, Maia e outros parlamentares receberam dinheiro para atuar a favor da empresa em uma medida provisória de 2013 sobre incentivos tributários a produtores de etanol e à indústria química.
Assim que as delações se tornaram públicas, Rodrigo Maia afirmou que
confia na Justiça e confiará sempre. O presidente da Câmara também
declarou à época que as citações de delatores são falsas e os
inquéritos, na avaliação dele, serão arquivados.
São investigados no mesmo inquérito o deputado Lúcio Vieira Lima
(PMDB-BA), os senadores Romero Jucá (PMDB-RR), Renan Calheiros (PMDB-AL)
e Eunício Oliveira (PMDB-CE). Todos negam ter cometido irregularidades.
Além do adiamento do depoimento, Maia também pediu ao STF para ser investigado sozinho no inquérito.
A decisão de Fachin
Na decisão, o ministro Edson Fachin informou já ter pedido à
Procuradoria Geral da República manifestação sobre se o caso deve
continuar ou não na Lava Jato, ou seja, se há ou não relação com desvios
na Petrobras. Se não houver conexão, o caso deverá sair das mãos de
Fachin e haverá sorteio de um novo relator. Por isso, Fachin considerou, por cautela, suspender o depoimento, uma
vez que, se mudar de relator, caberá a ele avaliar o pedido para ser
investigado sozinho e sobre a continuidade das investigações.
O ministro também destacou que, como pediu para a Polícia Federal
remeter o inquérito para que seja definida a questão da relatoria e como
está vencido o prazo concedido para a investigação, não seria adequado a
coleta do depoimento neste momento. "Desse modo, por ora, determino o acautelamento da presente petição até
o retorno do inquérito da Procuradoria-Geral da República, inclusive
porque, como frisado, poderá vir a ocorrer a redistribuição do feito,
competindo, se for o caso, ao novo relator o exame de questões
pendentes. Com relação à pretensão de suspensão da alegada oitiva
designada para o próximo dia 8 do corrente mês, de fato, emerge prudente
que a autoridade policial não realize atos de investigação quando os
autos foram requisitados e já expirado o prazo inicialmente deferido",
decidiu o ministro.

Nenhum comentário:
Postar um comentário