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O celular, antes tão mal visto no ambiente escolar, vai ocupando cada vez
mais espaço na sala de aula: em 2016, 52% das escolas utilizavam o
aparelho em atividades com os alunos. É o que aponta a pesquisa TIC
Educação 2016, do Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e
da Comunicação (Cetic), divulgado nesta quinta-feira (3).
O estudo mostra dados sobre utilização da internet e de celulares em
sala de aula, em escolas públicas e particulares em áreas urbanas de
todo o país. Foram coletados dados de 1.106 escolas, em turmas de 5º e
9º ano do ensino fundamental e do 2º ano do ensino médio. Participaram
das entrevistas 935 diretores, 922 coordenadores pedagógicos, 1.854
professores de diversas disciplinas e 11.069 estudantes. A pesquisa
aconteceu entre agosto e dezembro de 2016.
A popularização dos aparelhos pode ter relação com essa nova realidade.
Dos estudantes que têm acesso à internet, 77% usam a rede por meio do
celular. O segundo aparelho mais utilizado, o computador de mesa, tem
apenas 9% de participação nesta estatística. O acesso dos professores à
tecnologia aumentou ao longo dos anos: em 2011, apenas 15% deles
possuíam um smartphone. Em 2016, o número atingiu os 91%.
Os maiores usuários de smartphones, entre os alunos que usam a
internet, são os adolescentes: do total de estudantes do 9º ano do
ensino fundamental, 33% dizem usar os aparelhos na escola, contra 49%
dos alunos do 2° ano do ensino médio. Entre as crianças, a utilização é
menor: apenas 7% dos estudantes do 5º ano do ensino fundamental usam a
tecnologia na escola.
Estes números quase se invertem quando se trata do uso do smartphone
por parte dos professores em atividades escolares. Em 2016, 61% dos
professores declararam que utilizam a tecnologia para lecionar nas
turmas de 5º ano, contra 42% e 41% dos docentes de 8º e 2º ano,
respectivamente. A utilização é maior nas escolas particulares que nas
públicas: são 61% de usuários contra 46%.
Em 2015, 87% das escolas declararam ter acesso à rede sem fio. O número
aumentou para 92% no ano seguinte. No entanto, nos dois períodos,
apenas 10% delas declararam ter uso livre para todos. No último ano, 21%
das instituições informaram que o uso é restrito, com senha disponível
para os alunos, enquanto 61% não liberam o acesso para os estudantes.
Acesso
As escolas públicas e particulares apresentam números altos de máquinas
disponíveis em sala de aula: 98% e 96% têm computadores de mesa,
enquanto 86% e 92% também contam com computadores portáteis,
respectivamente. A internet está disponível na maioria das escolas
urbanas: 98% das instituições particulares e 95% das públicas declararam
possuir o serviço.
Os tradicionais laboratórios de informática são bastante utilizados em
escolas particulares, embora estejam em desuso. Do total de instituições
que responderam à pesquisa, 47% tem as salas de aula para a atividade, e
46% as utilizam. Na rede pública, o número de laboratórios não
aproveitados é bem maior: 81% das escolas possuem o ambiente, mas apenas
59% o usam.
"Embora os laboratórios estejam bastante presentes nas escolas
públicas, o uso é baixo. Nas particulares, esse espaço se desloca para a
sala de aula, biblioteca... isso mostra um avanço das particulares
nesse aspecto", comentou, em coletiva de imprensa, o gerente do Cetic,
Alexandre Barbosa.
Avaliação
A pesquisa do Cetic buscou conhecer a percepção dos professores sobre o
uso das tecnologias nas escolas. A perspectiva dos profissionais é, em
sua maioria, bastante positiva. Segundo o estudo, 67% agora têm contato
com professores e especialistas de outras escolas, 77% passaram a se
comunicar com os estudantes com maior facilidade e 94% garantem que
agora têm acesso a materiais mais diversificados ou de melhor qualidade.
Algumas necessidades de mudança foram observadas na pesquisa.
Questionados sobre, diretores e coordenadores pedagógicos das redes
pública e privada divergiram sobre o que é prioridade. Para os diretores
de escolas públicas, o mais importante é aumentar o número de
computadores por aluno. Os colegas da rede privada, no entanto, vêem
como prioridade o desenvolvimento de práticas de ensino que envolvam uso
de computador e internet.
Consultados, os coordenadores pedagógicos da rede também divergem entre
si. Na rede pública, as atenções se dividem entre as duas categorias
citadas. Os funcionários da rede privada, no entanto, concordam com os
diretores de suas escolas e vêem o desenvolvimento de novas práticas de
ensino como a maior prioridade no momento.

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